Wednesday, November 12, 2014

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A avaliação é um dos aspectos mais importantes do design de um curso, independentemente do modelo seguido. Os instrumentos avaliativos devem ser bem definidos e bem elaborados para cumprirem de maneira eficaz o papel de medir a aprendizagem. Conforme os quadros abaixo, há três tipos de avaliação: de entrada, somativa e formativa.








A partir dos conceitos sobre avaliação e suas variações, elaborei uma proposta de modelo avaliativo para um curso no formato híbrido e descrevi, de maneira resumida, a problemática, os objetivos, e os recursos a serem utilizados. 

Referências deste post:


  • CASTILHO, Ricardo. Ensino a distância: EAD: Interatividade e método. São Paulo: Atlas, 2011. 
  • GOMES, Maria João. Problemáticas da avaliação em educação online. In:  SILVA, MARCO; PESCE, Lucila; ZUIN, Antônio (Orgs.). Educação online: cenário, formação e questões didático-metodológicas. Rio de Janeiro: Wak Ed., 2010. 
  • GONZALEZ, Mathias. Fundamentos da Tutoria em Educação a Distância. São Paulo: Editora Avercamp, 2005.
  • MATTAR, J. Design educacional: educação a distância na prática. São Paulo: Artesanato Educacional, 2014. 



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De acordo com o Censo Ead.Br 2013, a evasão de alunos é apontada pelas instituições como um dos maiores obstáculos na EaD. Segundo o censo, a evasão de alunos de cursos totalmente on-line, chega a 19,06% em instituições de nível superior. Uma outra pesquisa realizada pelo site Online Colleges, revela que entre os problemas apontados pelos alunos de cursos à distância, em segundo lugar, com 24%, aparece a comunicação inconsistente por parte dos professores e tutores.
Para Moran (2011), a maioria dos alunos não está preparada para conduzir os estudos a distância sem supervisão direta. Muitos alunos, entram em um ambiente virtual e se sentem desorientados, sem um contato face-a-face com um professor e outros colegas. Portanto, percebe-se que uma evidente sensação de presença social por parte do professor e demais colegas de curso é desejável para uma experiência de ensino e aprendizagem de sucesso. Com o crescimento acelerado da procura por cursos na modalidade on-line, muitas instituições, gestores e designers ainda pecam em construírem um curso de modelo herdado do fordismo, cuja interação entre aprendizes e entre aprendizes e professor, quando há um, é mínima.
Mattar (2012) acredita que um modelo pedagógico conectivista para cursos on-line é mais apropriado para a o momento atual, em que vivemos em redes. Passadas três gerações de pedagogias diferentes, a behaviorista, a cognitivista e a socioconstrutivista, a pedagogia conectivista coloca o aluno no centro do processo e faz com que o conhecimento gerado seja colaborativo, por meio das redes e conexões estabelecidas entre todos. Para Mattar (2013) nada mais justificável que uma aprendizagem nestes moldes, já que “ a cultura da Web 2.0 considera o usuário também como um autor, ou seja, ele acessa mas também remixa e produz conteúdos, que por sua vez são lançados de volta à rede para acesso e retrabalho por outros.”
O conectivismo, portanto, não vê o professor como único provedor de conteúdo e informação, a colaboração dos alunos é essencial na estruturação e desenrolar do curso. Desta interação e colaboração surge o conceito de inteligência coletiva (IC), ou seja, pessoas agrupadas agindo de forma coletiva que parece ser inteligente. Segundo o conectivismo e ideia de inteligência coletiva, o conhecimento não está mais somente entre os indivíduos, mas ele se potencializa pelo uso de máquinas. Segundo Mattar (2012) , o papel do aprendiz não é mais "memorizar ou mesmo entender tudo, mas de ter a capacidade de encontrar e aplicar o conhecimento onde e quando necessário. O coletivismo assume que muito do processamento mental e resolução de problemas pode e deve ser descarregado em máquinas."
Texto: Carla Arena e Vinicius Lemos
Projeto
Pensando nos princípios da Inteligência Coletiva e do Conectivismo, Carla Arena e eu elaboramos um plano de tutoria voltado para um nanocurso fictício sobre Presença Social Online, dividido em dois módulos diferentes. Hospedamos o curso fictício no Wordpress, e várias ferramentas colaborativas da Web 2.0 foram utilizadas para potencializar a colaboração e construção coletiva do conhecimento, assim como tornar a aprendizagem sobre presença online mais eficaz e significativa. Além do cuidado com os detalhes do plano de tutoria, decidimos elaborar o nanocurso como se ele realmente fosse oferecido a um público real. Elaboramos todas as atividades com referências, arquivos, tabelas, links e ferramentas que pensamos em utilizar. 

Referências deste post:
ARANTES, V.A.; MORAN, J. M.; VALENTE. J.A. Educação a distância: Pontos e Contrapontos. 1. ed. São Paulo: Summus, 2011. Disponível em <http://www.onlinecolleges.com/infographics/profile-online-college-student.html>
Censo EaD.Br 2013. Associação Brasileira de Educação a Distância- ABED. São Paulo, 2014.
MATTAR, João. Tutoria e interação em educação a distância. São Paulo: Cengage Learning, 2012.

MATTAR, João. Web 2.0 e redes sociais na educação. São Paulo: Artesanato Educacional, 2013.

10.




De acordo o Art. 1º do Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005, a educação a distância é "uma modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação que permitem que estudantes e professores desenvolvam suas atividades educativas em lugares ou tempos diversos."  Segundo Silva (2013), a legislação brasileira até hoje não faz ressalvas para cursos livres que são oferecidos por profissionais ou instituições que não sejam fiscalizados pelo sistema federal, estadual ou municipal de ensino. Portanto, no cenário no qual eu atuo, que é o de ensino de línguas estrangeiras, não existe uma legislação que coordene nossas atividades e ações. Neste caso, Silva (2013) complementa seu discurso dizendo que as entidades de classe, as organizações e o público atendido devem avaliar avaliar a qualidade dos cursos ofertados.

Durante sua plenária no 10º SENAED, o presidente da ABED, professor Frederic Michael Litto, lembrou que, apesar da crescente importância que a educação a distância vem tendo no cenário educacional brasileiro, a legislação ainda não favorece muito sua expansão e consolidação. Segundo Litto,  a prática de "homeschooling" é proibida no Brasil, e a autoaprendizagem é permitida somente no EJA. Litto acrescentou que na Inglaterra, por exemplo, há decadas o aluno pode fazer uma prova e receber seu diploma. E para lembrar os participantes do evento que ainda há muito preconceito e inflexibilidade por parte das autoridades, ele lembrou que em 2010 a educação a distância foi excluída do FIES, programa de financiamento estudantil.

Confira esta síntese dos principais aspectos da legislação brasileira  sobre o tema educação a distância:


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Referências deste blog post:

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A Open University foi fundada em 1969 e é atualmente conhecida como uma das mais importantes instituições de educação aberta e a distância no mundo. Seus mais de 250 mil alunos são provenientes dos quatro países que compõem o Reino Unido (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) e de vários outros países fora desta região. A Open University elaborou um documento chamado Learning and Teaching Strategy que está em vigor desde 2012 e será mantido até 2015. Este documento contém ações e decisões de natureza tanto administrativa quanto pedagógica que devem ser seguidas por todas as unidades da instituição. Na verdade, cada unidade, neste período,  deve identificar suas prioridades, levando-se em consideração o contexto em que estão inseridas, traçar metas e agir em consonância com os princípios definidos por este plano de estratégias.
Este plano partiu da necessidade da instituição em estimular o crescimento das atividades on-line. A Open University está atenta às grandes transformações pelas quais a sociedade vem passando e entende que, além de manter sua tradição oferecendo cursos de qualidade, baixo custo e com bastante flexibilidade para o aluno, ela também precisa estar em sintonia com as novas tendências e tecnologias emergentes para poder atrair novos alunos e manter os que já estão matriculados. Pensando nisso,a instituição propôs algumas alterações, melhorias e inovações em sua pedagogia a fim de ir ao encontro das necessidades dos alunos e da sociedade, que cada vez mais exige um profissional inserido no mundo digital e dotado das mais variadas habilidades.
O documento Learning and Teaching Strategy orbita em torno da tecnologia e do ensino e aprendizagem na modalidade on-line. Este documento prevê que a instituição reveja seus processos, design de cursos e como o conhecimento é pasado e adquirido, sem esquecer que a tecnologia que vai sustentar este planejamento deverá ser robusta, confiável e eficiente. De acordo com o Institute for Distance Education (http://www.umuc.edu), existem tês modelos de EaD:
1. Salas de Aulas Distribuídas: a comunicação é síncrona e realizada em diferentes salas em diferentes lugares pré-determinados pela instituição;
2. Aprendizado Independente: o aluno é independente para fazer o curso de qualquer lugar a qualquer hora. Ele recebe os materias e programa do curso e um monitor ou tutor fica à disposição para auxiliar e avaliar o aluno. Recursos multimídias são utilizados;
3. Estudo aberto + Aulas: uso de materiais e meidias que permitem que o aluno estudo onde quiser. Há reuniões periódicas em grupos e em locais específicos.
O modelo de EaD adotado pela Open University é uma mistura do modelo independente e do modelo de estudo aberto. Portanto, os alunos podem sempre ter acesso a todos os materiais diponibilizados on-line. Tais materiais são elaborados de forma bem estruturada por uma equipe de profissionais especializados em didática, profissionais especialistas nos assuntos que são ensinados, e especialistas em mídia. Os professores que trabalham em período integral participam destas equipes de desenvolvimento e também se engajam em pesquisas acadêmicas.  A instituição também conta com funcionários que gerenciam os centros de estudos locais espalhados pelos 4 países do Reino Unido, monitoram instrutores e supervisionam o desempenho dos alunos. Interações entre alunos e professores podem ser presenciais ou por outras vias de comunicação não-presenciais (e-mail. chats, webconferências, etc).  
Além de toda esta estrutura e suporte na esfera acadêmica,os cursos são estruturados de forma que o aluno seja incentivado a estudar e pesquisar de maneira independente e que haja momentos de muita colaboração e troca de informações entre os alunos. Para a Open University, o feedback é um valioso instrumento no processo de ensino e aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento do aluno e tornando o processo de avaliação bem transparente.
Ao analisarmosos princípios norteadores que compõem o Learning and Teaching Strategy da Open University, podemos destacar:

1. qualidade do ensino ao aluno e a qualidade dos resultados associados ao ensino;
2. Uso crescente de tecnologias, principalmente as on-line, e redução de material impresso;
3. Acessibilidade ao material do curso nos mais variados formatos;
4. Expansão da participação e igualdade, abraçando cada vez mais as diversidades e backgrounds do corpo discente;
5. Ênfase na abordagem baseada na qualificação, e não em módulos;
6. Foco na habilidade de ensinar e aprender, com foco em pesquisa e desenvolvimento de todo o staff da instituicão;
7. Sustentabilidade ambiental, promovendo abordagens de ensino e aprendizagem que tenham impacto positivo no meio-ambiente e que sejam sempre sustentáveis.
De forma geral, estes princípios reforçam a ideia de que a Open University preza pela tradição e reputação já adquirida, mas que também busca maneiras mais eficazes e eficientes de ensinar, sempre visando inovação e oportunidades iguais para todos. Vale lembrar que a missão da instituição é “ser aberta às pessoas, lugares, métodos e ideias.”

A Open University reconhece que cada vez mais a Web 2.0 está inserida na vida de todos, portanto inevitavelmente no universo do ensino e aprendizagem também. Ela busca assumir um papel de liderança que permita que os desafios impostos pela tecnologia sejam vencidos por todos e que os alunos possam aprender de forma eficaz em um mundo digital. De acordo com o plano de estatégias da Open University (Learning and Teaching Strategy), há uma série de fatores relacionados aos aspectos acadêmicos que motivam o crescente uso de tecnologias. A instituição entende que a tecnologia pode ser usada para:

1. melhorar resultados;
2. melhorar a qualidade do ensino e aprendizagem;
3. encorajar a independência do aluno e dar suporte ao desenvolvimento pessoal;
4. melhorar a experiência do aprendizado e permitir mais personalização;
5. melhorar o acesso ao ensino;
6. dar suporte a uma gama diversa de oportunidades de ensino e ir ao encontro das necessidades de um público cada vez mais diversificado;
7. prover uma gama maior de conteúdos e recursos de forma mais eficaz;
8. aumentar a flexibilidade do que é entregue ao aluno;
9. aumentar a quantidade de informação que é entregue ao aluno;
10. desenvolver abordagens que permitam pesonalizar e individualizar o suporte dado ao aluno e gravar as conquistas e trabalhos dos alunos;
11.          dar oportunidade ao aluno de desenvolver suas habilidades de comunicação colaboração e trabalho em grupo;
12.          dar suporte aos alunos na hora de construir o conhecimento de forma colaborativa e engajá-los no aprendizado de forma social;
13.          reduzir o isolamento e distância dos alunos entre si sejam novatos ou experts;
14.          prover o aluno com a possibilidade de guardar para toda a vida aquilo que foi ensinado;
15.          permitir que o aluno utilize seu próprio equipamento nos contextos da instituição e personalizar serviços da instituição;
16.          prover o aluno com  a capacidade de integrar estudo trabalho e lazer através de ensino com base na casa e trabalho.
Tais princípios, de acordo com o plano de estratégias para o período de 2012-2015,  permitirão que a universidade concretize sua missão, mantenha sua reputação e aumente a eficiência e a simplificação de seus processos.
Conclui-se, portanto, que o plano estratégico da Open University não se preocupa somente com questões de natureza administrativa, mas deposita grande parte de suas ações em desenvolver e melhorar processos acadêmicos. Por trás de cada curso existe uma equipe responsável por fazer a engrenagem funcionar. O aluno está no foco o tempo todo e exige-se que ele, apesar de estar a distância, participe ativamente de todo o processo de ensino e aprendizagem. À ele, é dada a oportunidade de desenvolver sua independência e autonomia, além de aprender e praticar habilidades importantes para o século 21. Este plano colocou como prioridade o desenvolvimento do aluno em um mundo digital e traçou metas para que a educação na modalidade on-line ganhasse fôlego e autonomia. A gestão da Open University com foco em qualidade garantiram ótimas notas pelas avaliações da Agência Britânica de Garantia de Qualidade para a Auditoria Institucional do Ensino Superior e novamente, em 2010, ela se classificou entre as três melhores instituições de ensino superior no Reino Unido por satisfação do aluno.
Referências deste post:




12.



Ao longo de 2014 minha vida profissional afetou meus estudos, e vice-versa. Esta simbiose entre a teoria e a prática foi essencial para o meu amadurecimento como educador e supervisor na instituição onde trabalho. A seguir, confira alguns dos destaques na vida profissional em 2014 que foram altamente influenciados pelos temas abordados na pós-graduação em Inovações em Tecnologias Educacionais.

Facebook Group
Em 2013 criei um grupo no Facebook voltado para professores de inglês interessados no universo da EaD. Em 2014 pude compartilhar com profissionais do Brasil e do mundo vários vídeos, textos e links interessantes que foram compartilhados entre os colegas e professores da pós-graduação. Até o momento, o grupo conta com 102 membros. 
Online Teaching and Learning


Uma das experiências mais ricas e interessantes que tive este ano ocorreu no 5º Seminário de Educação e Tecnologia, em Piraí, também conhecida como a sede do projeto Piraí Digital. Na oficina intitulada Transformando problema em solução: como usar a tecnologia de todos os dias em sala de aula, pude compartilhar com um grupo de cerca de 40 professores da rede pública de ensino minha visão sobre a tecnologia educacional e algumas soluções práticas e democráticas para transformar práticas pedagógicas tradicionais através dos dispositivos digitais móveis.


A troca de conhecimentos foi riquíssima. Além de compartilhar conhecimentos aprendidos em algumas disciplinas da pós-graduação e alguns livros que eu estava lendo (principalmente a obra Um mundo, uma escola, do Salman Khan), pude presenciar um debate caloroso entre os professores que defendem e os que repelem a tecnologia em sala de aula. A conversa foi bem democrática e todos puderam expor seus medos, broncas, críticas, dificuldades e sonhos. 

Outro ponto alto da oficina ocorreu quando trabalhamos com algumas ideias desenvolvidas por mim envolvendo o uso de fotografia digital. Todos ficaram bastante entusiasmados e se envolveram nas tarefas propostas. Neste momento, os professores puderam entender na prática como algumas atividades simples, que necessitam de pouquíssima preparação, podem transformar a sala de aula e deixar o processo de ensino e aprendizagem mais colaborativo, significativo e divertido. Exploramos os espaços da escola e não ficamos limitados ao espaço físico da sala de aula. 


Aqui estão os slides que utilizei nesta apresentação:


Outra oportunidade que tive de compartilhar as ideias de m-learning apresentadas na oficina em Piraí foi durante a 7th Virtual Round Table Web Conference , uma conferência on-line de alcance mundial sobre tecnologias para o aprendizado de línguas. Professores do mundo inteiro puderam ver a minha apresentação em tempo real, ou depois, através de um link disponibilizado no site do evento. Aqui está a gravação da minha apresentação no evento: 
Harmonizing Traditional Language Practice and Mobile Devices Through Digital Photography

Este ano, além de explorar bastante o universo do m-learning, eu também tive a oportunidade de me engajar em atividades mais voltadas para EaD. Ao ler tantos artigos, livros, e participar de tantas discussões em fóruns da pós-graduação e redes sociais das quais participo, um tema me chamou bastante a atenção: presença social. Como supervisor dos cursos on-line da instituição onde trabalho, uma das minhas funções é dar treinamento e compartilhar conhecimentos pertinentes com os professores que trabalham com EaD. Um dos maiores responsáveis pela evasão em cursos a distância, é justamente a falta ou a pouca presença social por parte do professor nos ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs). Então, preparei o material e apresentei um webinar, ou seja, uma conferência on-line, para tratar do assunto. Chamei uma colega de trabalho para ser minha convidada especial e apresentar algumas de suas ideias para estabelecer presença social em ambientes virtuais. A apresentação era voltada para os professores de EaD da escola, mas todos os outros professores que tivessem interesse pelo assunto poderiam participar. Segue o link de um pedaço da apresentação: 
Webinar Social Presence

Aqui estão os slides usados na apresentação:


Por último, uma experiência de grande impacto na minha vida profissional foi ter participado do 20º CIAED. Foi minha primeira participação em um congresso internacional de EaD e não há como mensurar o valor para carreira de qualquer profissional poder estar em contato com os maiores e mais influentes profissionais da área do mundo todo. Sem sombra de dúvidas, a apresentação que foi uma aula para minha vida profissional, serviu de síntese para a minha trilha, e me inspirou a montar este e-portfólio, foi a mesa redonda Educação sem distância e seu virtual futuro, entre os professores Romero Tori, João Mattar, Vani Kenski e Paula Carolei. Foram duas horas de discussões eletrizantes sobre o futuro da Educação. O que absorvi ali foi tão impactante, que senti que  não poderia ficar com aquilo tudo guardado somente para mim, eu tinha de achar uma maneira de compartilhar com outros colegas de profissão informações tão interessantes e inspiradoras. Por isso, resolvi escrever um texto, que foi publicado em um blog idealizado e recém-criado pelos supervisores da instituição onde trabalho chamado Supervision Open Channel.

 É um espaço voltado para a comunidade de professores de inglês como língua estrangeira do mundo todo que buscam se engajar em discussões sobre práticas pedagógicas de sucesso. A inspiração foi tão grande que meu texto foi dividido em duas partes:
The Future of Education- Part 1
The Future of Education- Part 2

Este texto é uma síntese das minhas reflexões sobre o futuro da Educação ao longo da minha trilha em 2014 e é complementado pelas informações e reflexões do post final deste e-portfólio.





13.



Qual o futuro da Educação? Desde o início de 2014 esta pergunta passeia pela minha mente. Não que eu nunca a tenha feito antes, mas este ano, em especial, foi a pergunta que norteou a minha trajetória neste programa de pós-graduação e na minha vida profissional.

Segundo o suplemento especial Escolha a Escola do seu Filho, do jornal Correio Braziliense de 25 de outubro de 2014, em maio de 2015, representantes de vários países vão se reunir no Fórum Mundial da Educação, um evento organizado pela UNESCO a ser realizado na Coreia do Sul, objetivando estabelecer novas metas para melhorar as oportunidades educacionais em nível mundial até 2030. Um dos grandes focos do fórum será discutir a inclusão da tecnologia móvel digital (tablets e smartphones) nas práticas educacionais. A UNESCO lista alguns benefícios da aprendizagem móvel:

-expandir o alcance e a equidade da educação
-facilitar a aprendizagem individualizada
-fornecer retorno e avaliação imediatos
-permitir a aprendizagem a qualquer hora, em qualquer lugar
-assegurar o uso produtivo do tempo em sala de aula
-criar novas comunidades de estudantes
-apoiar a aprendizagem fora da sala de aula
potencializar a aprendizagem sem solução de continuidade
-criar uma ponte enorme de aprendizagem formal e não formal
-minimizar a interrupção educacional em áreas de conflito e desastre
-auxiliar estudantes com deficiências
-melhorar a comunicação e administração
-melhorar a relação custo-eficiência


E também lista diretrizes para a aprendizagem móvel:

-criar ou atualizar políticas referentes à aprendizagem móvel
-treinar professores sobre como avançar a aprendizagem por meio de tecnologias móveis
-fornecer apoio e formação a professores por meio de tecnologias móveis
-criar e aperfeiçoar conteúdos educacionais para uso em aparelhos móveis
-assegurar a igualdade de gênero para estudantes móveis
-ampliar e melhorar as opções de conetividade, assegurando também a equidade
-desenvolver estratégias para fornecer acesso igual a todos
-promover o uso seguro, responsável e saudável das tecnologias móveis
-usar as tecnologias móveis para melhorar a comunicação e a gestão educacional
-aumentar a conscientização sobre a aprendizagem móvel por meio de advocacia, liderança e diálogo

 Conclui-se, portanto, que a tecnologia na educação não é um modismo ou tendência passageira, mas um assunto que já faz parte da realidade e precisa ser discutido amplamente por educadores, gestores e especialistas em tecnologia educacional.

A presença da tecnologia na escola, porém, ainda é um tema controverso entre educadores, e há muitos desafios a serem vencidos por conta da resistência e falta de letramento digital entre os professores. Cada vez mais há a necessidade de envolver o professor, figura essencial,  nessa transformação. Dados do Cetic (Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação) revelam que no Brasil, por exemplo, apesar de 97% das escolas terem acesso à internet, somente 37% dos alunos a acessam dentro da instituição. A mesma pesquisa revelou também que apenas 6% dos alunos aprenderam a usar computador com um professor, apesar da maioria (87%) dizer que já usaram a internet para trabalhos escolares. 24% dos alunos pesquisados disseram que deslocam o tablet para a escola e 12% deslocam o computador portátil. Quando colocamos todos estes dados em perspectiva, fica claro notar que a internet e a tecnologia já fazem parte do dia-a-dia dos jovens, porém, infelizmente,em muitos casos, da porta da escola para fora.

O uso da tecnologia em sala de aula é algo inevitável e as escolas devem investir em uma pedagogia que ande de mãos dadas com os hábitos do mundo contemporâneo. As novas gerações, consumidoras ávidas de novas tecnologias e abertas à inovações reconhecem a importância que tais elementos tÊm em suas vidas e o impacto que podem ter no cenário escolar. A publicação Juventude Conectada , resultado de uma pesquisa em parceria com a Fundação Telefónica Vivo, Ibope e Universidade de São Paulo (USP) revelou alguns dados interessantes sobre o comportamento e pensamento do jovem na era digital:

47% acham que uso de internet e outras tecnologias de comunicação melhora o relacionamento e a troca de conhecimento entre os alunos
45% afirmam terem aprendido lições úteis para a vida ou para o trabalho na internet e que não aprenderiam no colégio/faculdade
40% dizem que a internet possibilita o acesso ao aprendizado no ritmo, no local e no horário mais adequado às necessidades deles
60% acreditam que é mais fácil fazer trabalhos escolares consultando a internet

Outra pesquisa interessante de ser comentada é a Intel Global Innovation Barometer, realizada com 12 mil pessoas em oito países. 77% dos brasileiros acreditam que a escola e professores devem se apoiar mais na tecnologia para melhorar o sistema educacional, um resultado superior à média mundial, que foi 69%.

Passeando por cada uma das dez disciplinas cursadas no programa de pós-graduação em Inovação em Tecnologias Educacionais, e retomando diferentes leituras, palestras, workshops e discussões ao longo de 2014, fica evidente, para mim, a necessidade de se romper com paradigmas do passado, quando o foco do processo de ensino e aprendizagem era o professor. Com o advento da internet e o avanço das tecnologias digitais e da Web 2.0, o foco passou a ser o aluno, que agora tem a oportunidade de desenvolver a aprendizagem através da colaboração e criação em um grau muito maior.

E o que nós educadores podemos aprender com tantas transformações e dados importantes? Devemos aceitar que a tecnologia invada nossas vidas e práticas pedagógicas de forma massiva e indiscriminada? Existe um limite? A tecnologia é a única solução na Educação? Em um vídeo disponibilizado no Youtube,  André Lemos fala sobre Cibercultura e defende que não podemos ser reféns da tecnologia. Ele explica que botar a tecnologia em sala de aula não vai resolver todos os problemas, o aluno precisa saber problematizar os conteúdos, e isto pode ser feito com ou sem tecnologia. Então quer dizer que não precisamos da tecnologia? Claro que precisamos, mas para transformarmos a maneira como interagimos com o conhecimento e o que fazemos com ele. Antes líamos um livro e guadávamos aquele conhecimento para nós, hoje podemos criticar e compartilhar a informação aprendida escrevendo em blogs, postando vídeos no YouTube, participando de grupos em redes sociais, etc.  Segundo Silva (2013), "em tempos de digitalização, é inegável que não é mais o professor quem determina o caminho e como as pessoas devem aprender. A comunicação entre indivíduos divide espaço agora com a possibilidade de trocas coletivas e em larga escala; interação e interatividade tornam possível o fato de que cada pessoa possa ser um agente ativo da informação e do conhecimento. " Portanto, é essencial que gestores e demais profissionais envolvidos com a Educação passem a experimentar essa forma digital de se relacionar com o mundo para, assim, descobrirem maneiras eficazes de incorporar a tecnologia nas práticas pedagógicas no cotidiano escolar.

Para quem apostava que a figura do professor seria descartável no futuro está redondamente enganado. Hoje e no futuro, um professor bem preparado faz e fará toda a diferença. O professor da escola do século 21 terá um papel de curador de conteúdos e moderador  de processos educacionais. Muito da crise que está instaurada na escola hoje vem da ideia, segundo Mario Sergio Cortella, em uma entrevista concedida ao Estadão, de que ensinamos no modelo do século 19, somos professores do século 20 e nossos alunos são pessoas do século 21. Neste novo século, a Educação está caminhando para novos modelos de gestão e de avaliação dos alunos. Os dispositivos móveis, juntamente com as redes sociais, estão se tornando ferramentas poderosas de transformação e evolução do conhecimento e comunicação. A gamificação tem o potencial de adequar rotinas escolares aos hábiltos das novas gerações, tornando a escola um ambiente mais atraente e estimulante. com um design de curso bem elaborado e uma docência voltada para a colaboração e a conectividade, a escola poderá verdadeiramente se tornar um lugar que transforma e prepara o ser humano para exercer sua cidadania de forma plena na sociedade.

Concluindo, gostaria de dizer que esta pós-graduação em Inovação em Tecnologias Educacionais me ajudou a despertar e a desenvolver habilidades essenciais para o educador do futuro e abriu meus olhos para tantas questões importantes que precisam ser discutidas. Para mim, ficou claro que a tecnologia não é o fim, mas sim o meio. Além disso, aprendi que tecnologia não significa inovação, e inovação não significa usar tecnologia. A questão vai além disso e envolve muito mais uma quebra de paradigmas e uma nova abordagem metodológica. Se eu voltasse à pergunta que havia feito no começo da minha jornada, diria que não sei de forma clara qual o futuro da Educação, porém descobri quais caminhos tomar para chegar cada vez mais perto de todas as respostas. Se esta pós-graduação fosse um jogo, não diria que cheguei ao final e agora é "game over". Completei, na verdade, um ciclo, uma etapa, e agora estou pronto para passar para uma nova fase, um novo nível, com mais desafios e descobertas. Gosto de uma frase do professor Moran, que sintetiza de forma objetiva a nova relação entre a tecnologia, o professor e a escola:



Obrigado a todos os professores por me ajudarem a trilhar o meu percurso. Este não é o fim, mas sim o começo. Agora me sinto um educador do século 21, pronto para encarar desafios e contribuir com a evolução da Educação!


Referências deste blog post:
Cetic
Fundação Telefônica
Intel Research: Global Innovation Barometer
O que é Cibercultura? 
Suplemento especial do Correio Braziliense do dia 25 de outubro de 2014
Silva, R. Gestão de EAD- educação a distância na era digital. São Paulo:Novatec, 2013.
UNESCO Policy Guidelines for Mobile Learning